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Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Nas Alturas: Como Elaine Loterio Se Tornou Recordista no Paraquedismo

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Nas Alturas: Como Elaine Loterio Se Tornou Recordista no Paraquedismo

Dos saltos duplos em Boituva ao recorde sul-americano feminino, Elaine encontrou nas alturas uma nova paixão aos 55 anos, enfrentando desafios e superando medos com coragem e persi

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Nome: Elaine Loterio
Apelido: Donaelaine
Salta desde: 2018
Quantidade de saltos: 253
Área preferida: Todas

Integra: Seu primeiro salto foi duplo? Conte sobre (por que, como, onde, quando)


Elaine Loterio: Sim, fiz mais de 20 saltos duplos. Apaixonada por adrenalina, o paraquedismo sempre encheu meu coração de alegria. Sempre que havia uma data comemorativa, como Natal ou aniversário, eu escolhia comemorar em Boituva. A Skypanhia fazia os saltos duplos com o Pane, instrutor de lá. Levava minhas três filhas, amigos e familiares para saltar também. Ele sempre me sugeria o curso. Eu já navegava e usava altímetro, mas ainda tinha despesas com a faculdade das minhas três filhas. Como mãe solo, elas eram prioridade, então sempre que podia, eu fazia um duplo.

Integra: Como você soube que queria ser paraquedista?


Elaine Loterio: Eu sempre fui fã de adrenalina. Fui campeã de rally de regularidade como piloto, conquistando três primeiros lugares em Limeira e Iracemápolis. O paraquedismo era um sonho um pouco distante até então, mas formei uma de minhas filhas, a Aryela, como paraquedista. Quando cheguei aos 55 anos, disse a ela: "Filha, agora é a minha vez de voar, vou fazer o curso". Isso foi em 2018.

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá?


Elaine Loterio: Minha filha já saltava em Boituva. Quando falei que faria o curso, ela escolheu a escola e o instrutor. Fiz o AFF na SkydiveThru, com o instrutor Daniel Garcia (Daniboy). Passei pelos sete níveis sem reprovar, mesmo desconfiando que estavam me aprovando para se livrarem de mim, já que eu tinha 55 anos, era mulher, e durante todo o curso, eu chegava pela manhã e os instrutores se escondiam para não saltarem comigo. Então, comecei a voar com quem estivesse disposto a subir comigo. Diz a lenda que, todos os dias, quando eu ia embora, eles diziam: "Amanhã ela desiste! Amanhã ela não vem mais!". Erraram feio!

Integra: Quem foram seus instrutores?


Elaine Loterio: Tive um mestre: Daniboy.
Instrutores aos quais agradeço até hoje: Jeff Costa, Michelle Rodrigues.

Integra: Como foi o seu curso?


Elaine Loterio: O curso, para mim, foi prazeroso, pois eu estava aprendendo algo que desejava muito. Tive medo, muito medo, mas eu não estava só com a coragem, eu tinha sabedoria junto. No teórico, eles ensinam o que você tem que fazer, mas é sempre uma loucura (risos). Ah, e tem o famoso rádio, que te deixa segura, já que tem alguém o tempo todo te orientando durante a navegação.

Integra: Qual você acha que foi a sua maior dificuldade no início?


Elaine Loterio: Minha maior dificuldade começou quando terminei o AFF. Eu não largava o rádio, e foi assim por uns 20 saltos. Quando deixei o rádio, a dificuldade era manter a frequência dos saltos, voando com um instrutor.

Integra: E como foi a sua progressão até ser atleta? Treinou com alguém?


Elaine Loterio: Minha progressão para a categoria B começou em Piracicaba, porque a SkydiveThru, minha escola, se mudou para lá. Fui junto e lá voei com vários instrutores e fiz cursos, mas conheci uma pessoa que me ensinou a voar, a virar e desvirar, a gostar do vento e parar de brigar com ele... Leandro Igioa. Viramos parceiros e amigos. Já na categoria B, outra surpresa incrível surgiu no meu caminho: Bia Hono, com o projeto "Só pra Elas". Ela estava em Piracicaba, começando um treino para bater o recorde feminino sul-americano em um 38-way. Daniboy, meu mestre, me puxou e disse: "Quer voar bigway? Cola nela!" Foi aí que um sonho começou. Não perdi um treino sequer. Foram 1 ano e 8 meses, com treinos a cada 2 meses. Nos intervalos, sempre que podia, meu amigo Igioa me treinava, sempre de forma segura e divertida. Fazer parte do "Só pra Elas" foi incrível!

Integra: Hoje, onde você salta mais? E qual modalidade você mais gosta de voar?


Elaine Loterio: Abriu-se um mundo gigante para mim no paraquedismo. Eu tinha 80 e poucos saltos e dei de cara com mulheres com 1.000, até 6.000 saltos ou mais, voando como águias. Mas o melhor de tudo era a vibe delas... Meu Deus, eu estava num mundo que sempre sonhei. Elas não só me ensinaram as técnicas para voar bigway, como me pegaram pela mão e me levaram para o alto.

Participei do recorde e hoje voo no Big Boits, na escola Skydive Boituva. Divido o céu com minhas filhas sempre que posso, o que é maravilhoso demais! Já estou começando a treinar novamente com o "Só pra Elas", e uma nova quebra de recorde está vindo aí.

Hoje eu ainda trabalho, tenho três filhas, duas netas, e perdi meu pai, minha mãe e o pai das minhas filhas. Me senti muito sozinha. Se não fosse o paraquedismo, talvez eu não estivesse escrevendo isso aqui hoje. A perda da minha mãe foi algo aterrorizante, mas uma mão me puxou para fora do poço da depressão. Tenho certeza de que o paraquedismo e os amigos que fiz foram muito importantes em minha vida.

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