Integra Paraquedismo

Domingo, 22 de Marco de 2026
Voando com Amor: Karen Murata e sua Experiência como Mãe

Brasil e Mundo

Voando com Amor: Karen Murata e sua Experiência como Mãe

Descubra como Karen Murata equilibra sua paixão pelo paraquedismo com a maravilhosa jornada da maternidade. Uma combinação única de coragem e amor.

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Nome: Karen Piovezana Murata

Apelido: Karen Murata

Quantidade de saltos: 1800+

Salta desde: 2004

Modalidade preferida: TR

 

Integra: Como foi a sua primeira experiência no esporte?

Karen: Minha primeira experiência no esporte foi para fazer o curso ASL em Piracicaba, nunca tinha feito o salto duplo. Não tinha a menor noção de como seria. Fiz a parte teórica num sábado e saltei logo no domingo, saindo enganchada à 4500ft. Foi uma experiência incrível, sabia que aquela sensação nunca mais sairia de mim. Foi paixão “à primeira vista”.

Integra: Como foi o início da prática desportiva para você? Teve dificuldades?

Karen: Acredito que foram dificuldades normais para um aluno, porém entendi que no meu primeiro salto não tinha retido todas as informações importantes para um salto com segurança. Desde então decidi reforçar bastante os treinamentos e os estudos, me dedicando a entender de fato a prática do esporte de forma consciente e segura. Invisto nisso desde então.

Integra: E quando decidiu virar mãe? Como foi o nascimento do seu filho?

Karen: Penso que nunca escolhi ser mãe, mas a vida me escolheu para ser mãe de alguém. A minha “gestação” foi um pouco diferente.

Final de 2015, eu estava com 36 anos e não tinha filhos, foi quando conheci um garotinho de 8 anos, o Márcio, que morava numa instituição (Casa Lar) em Campinas, cidade onde moro. Tornei-me madrinha oficial dele, inclusive perante a Vara da Infância, podendo levá-lo para passear e até viajar comigo (inclusive nessa época ele foi muito para Boituva comigo…rsrsrs).

Como o Estado era o real tutor dele, eu pouco podia fazer enquanto madrinha para mudar a sua condição. Eu era quem o levava para conhecer o mundo, ensinava o “mundo real”, o conceito de família, alguns valores, mas posteriormente eu o devolvia para viver numa “bolha institucional”, local em que ele vivia desde quando nasceu. Ele já estava destituído do poder familiar, portanto não voltaria a viver com a sua família de origem. Ficaria na Casa Lar até os seus 18 anos e depois o soltariam no mundo. Por outro lado, na minha casa ele já tinha o quarto dele, as roupas dele e os brinquedos dele. Contávamos os dias para chegar o final de semana e, por muitas vezes, durante a semana, eu escapava do trabalho para levá-lo no colégio.

Neste processo todo eu fui aprendendo a ser mãe e ele a ser filho (primeira experiência para ambos). Eu já sentia por ele todo amor do mundo e foi quando eu que descobri o tamanho do amor de uma mãe por um filho. Sabia que seria algo irreversível, para sempre. Junto com o amor, um milhão de sentimentos vieram à tona: você se questiona sobre a sua capacidade de lidar com “aquilo tudo”, sobre as incertezas do futuro, se será uma boa mãe, se terá tempo suficiente, se saberá educar e muitas outras “neuras” de mãe… rsrsrsrs.

Entrei com o pedido de guarda definitiva e, diferente do que eu tinha ouvido falar, o processo burocrática não demorou a sair. Em poucos meses ele legalmente era o meu filho. Mas não tenho essa data como a data do nascimento dele para mim. Acredito que ele nasceu para mim desde o primeiro dia em que eu o conheci.

Hoje o Márcio tem 17 anos e é um garoto incrível. Tenho muito orgulho dele. Depois de alguns anos de prática como mãe a gente percebe que só precisamos fazer o nosso melhor (e esse melhor é diferente para cada uma) e tudo dará certo.

Integra: Na sua opinião, a maternidade interfere na prática esportiva?

Karen: Eu costumo dizer que a maternidade interfere em tudo, mas não quer dizer que atrapalhe ou impossibilite. Com a maternidade só precisamos entender que, deixar de saltar ou fazer outras atividades por alguma demanda do filho fará parte da trajetória e está tudo bem.

Integra: O que podemos aprender no esporte, que levamos para a nossa vida em casa?

Karen: Acredito que, como em qualquer esporte, há muito para se aprender no paraquedismo, como disciplina, coletividade, responsabilidade, autonomia, segurança, persistência, superação e confiança.

Eu gosto muito da ideia do ensinar “pelo exemplo”. Os filhos são grandes observadores dos nossos comportamentos, muito mais do que somente dos nossos discursos.

Integra: Muitas mulheres alegam sentir mais medo depois que tornaram-se mães, você se sente assim?

Karen: Sim. Lembro-me até hoje da sensação do meu primeiro salto depois que me tornei mãe. Precisei controlar meus sentimentos e principalmente os meus pensamentos durante a subida do avião. Os pensamentos insistiam em irem na contramão do que eu estava fazendo, o que não é nada bom né? Mas lidei com isso e me concentrei no salto. Esse sentimento foi se acalmando com o passar do tempo.

Integra: Você sonha que seu filho (a) siga no esporte?

Karen: Meu filho fez somente um salto duplo e diz não querer ser paraquedista. Deixo ele bem à vontade nas escolhas, mas se em algum momento ele quiser seguir no esporte irei apoiá-lo, com certeza.

Integra: Deixe um recado para as paraquedistas que iniciaram a jornada da maternidade.

Karen: Mamães abençoadas, deem tempo ao tempo.

Façam o seu melhor e não se cobrem tanto.

Nenhuma mãe foi escolhida para ser mãe sem um propósito maior.

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