Isaac Ribeiro, o nosso menino prodígio dos recordes mundiais de Head Down, salta desde os 15 anos de idade. Se formou em Boituva em 2012, e nessa década de paraquedismo chegou à 1.500 saltos, além de muitas horas de túnel de vento.
Desde que iniciou no esporte, Isaac já demonstrou seu gosto por Free Fly, Angle e Vertical. Em 2018, com apenas 23 anos, ele estava na sua primeira tentativa de recorde mundial, e foi o atleta mais novo classificado para participar do evento. Nas duas edições que participou, 2018 e 2022, haviam oito brasileiros entre os atletas.
O recorde atual reconhecido pela FAI (site Guinness*) foi batido em 2012 com 138 paraquedistas, em Chicago. Isso porque a Skydive Chicago** sedia a cada três anos novas tentativas para o recorde. As duas últimas tentativas foram de 200 way, mas infelizmente não alcançaram a meta.
“Não foi o esperado e quando diminuíram para tentar fechar no último dia, ainda sim não deu certo. Foi uma sensação de realização e gratidão, mesmo que o recorde não tenha sido batido. A jornada para conquistar o recorde mundial é que torna a experiência incrível. Tudo começa com muita dedicação e persistência.“
A organização faz dez eventos ao redor do mundo entre treinamentos e tryouts, onde eles convidam os 200 melhores free flyers para participar do recorde mundial. Durante esses eventos, o clima é de completa competição. Cada evento tem em torno de 100 pessoas, mas em média são entregues 20 convites. Então cada atleta fica constantemente fazendo uma autoavaliação e julgando os outros para ver quem são os melhores. Eles avaliam toda performance e comportamento dos atletas desde o briefing em solo, subida no avião, queda livre, navegação, pouso e retorno para debriefing.
“Após conseguir o convite nós vamos para o grande evento, onde nos tornamos um time. Então ser escolhido para estar dentre os 200 melhores do mundo, por duas vezes, para cumprir a missão do recorde, é como ganhar um troféu mesmo antes do recorde acontecer.”
Sobre como se o Isaac se preparou para participar dos eventos, ele explica: “Meu preparo com certeza é físico e mental. Na parte física, é preciso muito treino e dedicação.
Aprendi a voar Head Down com 16 anos, mas foi uma imensa jornada de treinamento constante para estar no nível de participar de um recorde mundial de Head Down. Fiquei sabendo em 2017 sobre a quebra do recorde que aconteceria no ano seguinte, e então com 9 meses de antecedência eu decidi que estaria lá. Fiz muitas horas de túnel focadas em VFS, e participei de 1 training camp e 6 tryouts, e no meu último tryout antes do evento os organizadores decidiram me dar o famoso ‘golden ticket’. Na parte mental, tenho uma convicção que Deus é comigo, e com certeza isso me faz avançar nos dias ruins e bons. Tenho uma esposa que me apoia 100%, um pai que me incentiva desde criança, uma mãe que ora muito por mim, e amigos que torcem juntos. Existe muita tensão no recorde. Todos atletas são de altíssimo nível, mas é perceptível a preocupação com todas as fases do salto – e quando qualquer atleta não for 100%, tem um no banco de reserva querendo tomar o seu lugar. A conclusão é que todos precisam dar 100% de si para o recorde acontecer, e meu preparo é esse.”
Sobre o futuro, o Isaac diz que irá participar de todos os recordes mundiais que conseguir. E com certeza estará no próximo recorde Sul-Americano e Europeu de Head Down.
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