Nome: Rafael Ganzaroli
Apelido: Ganza
Quantidade de saltos: 9600
Onde salta geralmente: Boituva
Salta desde quando: julho/2006
Modalidade favorita: Freefly e Swoop
Evento: Record de Head Up
Local: Skydive City - Zephyrhills - Florida - EUA
Data: 06/Março à 09/março
Aeronave: Twin Otter
Saltos no evento: 8
Quantidade de atletas: 32 + 16 (vou explicar melhor o motivo de 2 grupos)
Fechou o record? Sim
Integra: Quais foram os desafios que enfrentou para participar do evento?
Rafael: Inicialmente, o evento visava quebrar o recorde da Flórida de maior formação "Head Up", com o objetivo de reunir 60 atletas, para superar o recorde anterior de 47 pessoas estabelecido no ano anterior. No entanto, devido ao cancelamento de última hora de 12 atletas por motivos pessoais, os organizadores decidiram transformar o evento de um Recorde Estadual para um Recorde Mundial. Isso foi possível devido à conquista do recorde "sequencial" em vez do recorde de maior formação. O termo "sequencial" refere-se à realização de mais de um ponto ou figura em um único salto. O recorde sequencial de 2 pontos era de 20 pessoas, conseguimos aumentá-lo para 32. Além disso, tentamos estabelecer um novo recorde sequencial de 3 pontos, pois em saltos sequenciais, cada ponto adicional pode representar um novo recorde.
Fui convidado para estar na base do recorde, que consiste nos paraquedistas localizados no centro da formação.
Este é um papel crucial, pois sem uma base sólida, a formação não se mantém. A base foi composta por 8 atletas, sendo que apenas 5 saíam do avião juntos, enquanto os outros 3 entravam após a saída, eu fui um deles, desempenhando o papel chamado de "breaker-in". Foi um grande desafio estar na base do recorde mundial e realizar o trabalho de "breaker-in" sem prejudicar os atletas que já estavam na formação, além de segurar firme para evitar que a formação se "quebrasse". Durante os saltos, a pressão nos braços é extrema, é comum acabar escapando um "grip" e a formação acabar "estourando". No fim, tudo deu certo, conseguimos quebrar o recorde no quarto salto do primeiro dia. A intenção era tentar o terceiro ponto com 32 atletas e depois aumentar para 40, porém, devido às condições meteorológicas adversas, só conseguimos realizar 8 saltos no total, sem alcançar novos recordes.
Integra: Como foi a evolução dos saltos no evento?
Rafael: No primeiro salto, a base quebrou na saída e não conseguimos reconstruí-la, gerando frustração e preocupação quanto à possibilidade de problemas recorrentes. No entanto, a partir do segundo salto conseguimos sair melhor e realizar um trabalho consistente. Todos os outros atletas se saíram muito bem, com apenas alguns problemas pontuais, mas nada que comprometesse a segurança dos participantes. A segurança de todos é sempre a nossa prioridade máxima.
Integra: Quem eram os LOs? Você gostou deles?
Rafael: Os organizadores eram: Brad Hunt e sua esposa Mallory Hunt
Foram os mesmos organizadores do recorde do ano passado da Flórida, que eu tive a chance de participar.
Eles fizeram um trabalho incrível, inclusive tivemos um treinamento no túnel de vento iFly Tampa um dia antes de começar os saltos, sem custo adicional para os participantes.
Integra: Tinha outros brasileiros no evento?
Rafael: O Brasil estava representado por:
Rafael Ganzaroli
Paulo Pires (líder do FlyOn)
E Davi Costa (membro do FlyOn)
Durante o evento, o Paulo Pires me anunciou como membro oficial do time FlyOn!
É uma honra poder me juntar oficialmente ao time, há anos participo em diversos eventos com eles.
Integra: Você acha que o Brasil tem boa representatividade nestes eventos mundiais de Free Fly?
Rafael: O Brasil é muito bem representado nos eventos internacionais de Freefly, por volta de 10 atletas comparecem com frequência e são convidados a participar dos recordes, temo s potencial para, no mínimo, dobrar esse número de participantes nos próximos recordes, só falta a galera querer e se dedicar! Obviamente é sempre um investimento muito alto, temos muito pouco (ou nada mesmo) de apoio, fazemos por paixão ao esporte.
Integra: Tem previsão de novo recorde de HU?
Rafael: Em Maio a FlyOn vai organizar o Recorde Sul-americano de Head Up, o objetivo é realizar uma formação com 20 ou mais paraquedistas
No final do ano, em novembro, vai rolar o próximo Recorde Mundial de Head Up em Eloy, Arizona.
Vamos ter dois "tryouts" (seletivas) pro mundial em Boituva, com organização do FlyOn, FlyNow e FlyWarriors.
Integra: O que você mais gostou no evento?
Rafael: O Paulo Pires sempre fala que os saltos de recorde são "esforços individuais para um objetivo em comum", é muito boa essa vibe dos recordes! Reencontrar amigos de diversos lugares, a adrenalina antes de cada salto, celebrar no final do dia, dar risada das falhas e de quebra conquistar o recorde, foram momentos inesquecíveis!
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