ENTREVISTA COM OFICIAL DE SEGURANÇA DE VOO DA FORÇA AÉRA BRASILEIRA – FAB
Bem vindos amigos leitores. Uma pergunta para vocês: o que um oficial de segurança de voo da Força Aérea Brasileira (FAB) teria para dizer sobre a operação de paraquedismo civil? Assim nasceu a reportagem desta edição com o Coronel Aviador Marcos Antônio dos Santos.
Com 32 anos de experiência como piloto militar, suas funções incluíram Piloto de Defesa Aérea, Instrutor de Voo da AFA, Piloto de Acrobacias Aérea e Chefe-Controlador de Defesa Aérea. Sendo Oficial de Segurança de Voo credenciado pelo CENIPA, ele propõe falarmos sobre a movimentação de carga (no caso, nós paraquedistas) dentro da aeronave.
“Acerca do Centro de Gravidade (CG) da aeronave, o termo tem por definição técnica: o ponto da aeronave sobre o qual todas as forças agem uniformemente distribuídas. Numa linguagem simples, Centro de Gravidade é o ponto de equilíbrio de uma aeronave. Supondo que ela seja levantada por esse ponto, a aeronave não apresentará tendência de rolamento, de guinada ou de arfagem. Movimentações inadequadas de cargas implicará desbalanceamento e deslocamento do CG da aeronave para uma posição que dificulta ou impossibilita o prosseguimento do voo. Esta situação, isolada ou associada a outros fatores, poderá levar a um incidente ou acidente aéreo.
Peso e balanceamento é a distribuição adequada da carga no interior da aeronave, de modo a mantê-la em equilíbrio e a evitar movimentos rotacionais inadvertidos. Na prática do voo, é um cálculo matemático que considera o peso da carga e a sua distância do C.G. da aeronave.
O limite de peso e o espaço destinado às cargas da aeronave são divididos em setores, com capacidades diferentes para cada setor. O setor abaixo das asas é o que tem maior capacidade de peso. O ideal é que a carga esteja fixa ao chão, evitando assim movimentação.
A colocação indevida e aleatória de cargas na aeronave pode gerar movimentos rotacionais inadvertidos da aeronave, a ponto da tripulação não conseguir atuar nos comandos de voo para impedi-los nem manter o nível de segurança desejado.
A influência de fatores meteorológicos como altitude, pressão, umidade e temperatura podem contribuir para uma queda de rendimento da aeronave. Na prática, a probabilidade de ocorrência de um acidente aumenta quanto mais desproporcional for a relação de "menos potência disponível" x "maior desbalanceamento”.
Durante a decolagem, a dica aos paraquedistas é seguir as orientações recebidas e manter-se estritamente com os cintos afivelados e na posição designada, respeitando assim o balanceamento da aeronave, que neste momento opera com toda a potência disponível.
No lançamento, as recomendações são: manter a calma, lembrar da instrução teórica, ficar atento às orientações do instrutor ou LO e se posicionar corretamente para o salto.
Já antes de um pouso de emergência, os paraquedistas devem posicionar-se com a postura orientada e distribuídos nas posições originais, de modo a manter o peso total corretamente distribuído na aeronave.
Recordo-me de várias ocorrências de acidentes e incidentes aeronáuticos ocasionados por desrespeito à correta distribuição do peso nas aeronaves. Um deles foi um acidente fatal no qual uma aeronave colidiu com o solo imediatamente após a decolagem, no Campo de Marte, por um considerável desbalanceamento gerado pela quantidade desigual de combustível nas asas.”
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