Renan Seccomandi é instrutor de paraquedismo faz 12 anos, e paraquedista desde 2004. Neste tempo, realizou mais de 11 mil saltos, tornou-se uma referência em nível nacional quando falamos de Pilotagem de Velame, e recentemente ingressou na Marinha como atleta de alto rendimento. Ele considera o assunto muito relevante para a segurança do esporte, e costuma ministrar cursos de pilotagem de velames faz muito tempo.
Falando com a revista Integra, ele ressalta a importância do curso de pilotagem. Diz que é comum vermos o pessoal que inicia no AFF e deslumbra com o esporte, com as possibilidades do esporte, entre suas muitas vertentes. As pessoas perdem o foco do que é o mais importante: sobreviver. Por isso é tão interessante pousar bem, pilotar o velame e ter o cuidado ao fazer o downsize.
Uma de suas grandes preocupações é com pessoas leves, que podem ser mal orientadas. Muitos instrutores autorizam um atleta leve a saltar com um 150ft, sem uma experiência mínima, simplesmente baseado no critério da carga alar.
Entre tantos detalhes a serem observados para a progressão do aluno, ele fala sobre o quadro geral: “Quem pousa bem não é o paraquedas, é o atleta. Ele tem que conduzir o paraquedas de uma forma coerente, com vento forte ou fraco, em uma área de pouso ampla ou restrita, saber avaliar zonas de turbulência, circuito de navegação, ler a seta e a biruta. Antes de ser atletas ou instrutores, temos que ser bons pilotos de velame e chegar no solo com segurança.”
Ele também comenta da importância da ficha de progressão. Como categoria A, é necessário ter orientação mínima de segurança. Algumas situações são bem graves, como colisões, que podem machucar ou até matar. Os cursos de pilotagem ajudam a aumentar a segurança, conscientizando os atletas dos perigos e ensinando técnicas.
“Navegar é uma obrigação. A analogia que eu faço é com a CNH, pergunto se no dia seguinte que a pessoa tirou a carta, ela já pegou o carro e foi dirigir em uma rodovia. Esse paralelo visa embutir na cabeça da pessoa, que mais importante do que ter um container e um velame pequeno, ou performance, é saber extrair a performance do paraquedas que está usando. Conhecendo os recursos disponíveis, conseguiremos ter a performance desejada. Então é possível pousar bem até de tandem, um velame grande. Acima de tudo, é imprescindível conhecer os recursos da asa. Por exemplo, saber que uma curva não é só feita de batoque, pode ser de harness ou tirante. É comum termos nos cursos pessoas mais experientes, mas que não conhecem essas técnicas.”
Ao longo do curso, além da teoria, acontece a porção prática. Alguns exercícios o Renan gosta muito de passar, como os de stall com tirante traseiro. Ele fala que é importante conhecer o limite onde uma asa pára de voar. Também é relevante conhecer as possibilidades de fazer curva, de batoque, tirante traseiro e harness. E acima de tudo, brincar com as manobras de flare - de modo a perceber melhor, pela percepção cognitiva, o balanço, o swing que o corpo faz embaixo da asa. Seja numa curva menor, ou em uma mais agressiva, ou ainda no flare. A pessoa deve entender onde exatamente está pendurado embaixo da asa, ou seja, o centro de gravidade.
“Quando começamos a linkar esses conceitos com a percepção visual, auditiva, e proprioceptiva do balanço, a pessoa começa a entender a manobra do flare e a aplicação disso para o momento do pouso vai ficar mais coerente, mais coeso. Em termos de pilotagem, bato na tecla que não podemos ser medíocres na questão de pilotagem, na questão da linha de raciocínio. As pessoas esperam ter um velame de performance para fazer o curso – mas iniciar quando ainda se voa um velame student, torna a prática muito mais segura”, finaliza Renan Seccomandi.
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