Integra Paraquedismo

Segunda-feira, 10 de Agosto de 2026
Mariana Aranha: Uma Vida no Ar Desde a Infância

Brasil e Mundo

Mariana Aranha: Uma Vida no Ar Desde a Infância

Descubra a trajetória inspiradora de uma paraquedista que cresceu cercada por saltos e superou desafios até se tornar parte dos recordes nacionais, sempre voando em família e com d

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Nome: Mariana Aranha
Apelido: Maiá
Salta desde: 2008
Quantidade de saltos: 971
Área preferida: Piracicaba

Integra: Seu primeiro salto foi duplo?
Mariana: Sim!! Eu tinha 6 ou 7 anos.

Integra: Conte sobre (por que, como, onde, quando):

Mariana: Em casa, todo mundo salta! Meu pai e minha mãe se conheceram saltando, e meus irmãos (do primeiro casamento do meu pai) também saltavam e sempre foram exemplos para mim. Sobre o primeiro duplo (em 1996 ou 1997), ganhei uma aposta do meu pai e ele teve que pagar o meu salto. O tandem pilot foi o Rodrigo Costa (Costinha), quem filmou foi o Edson (Careca) Pacheco, com meu pai e meu irmão acompanhando. Eu não sabia muito bem o que estava fazendo, mas, por estar em família, eu estava adorando. Tenho o vídeo até hoje.

Integra: Como você soube que queria ser paraquedista?

Mariana: No começo, não parei muito para pensar, só fui saltar porque era normal todo mundo saltar lá em casa, fui mais pela inércia. Meus irmãos saltavam (meu irmão mora nos Estados Unidos e, na época, competia com um time de 4way), meu pai ainda saltava, e eu fiz o AFF para saltar com eles, mas não tinha uma frequência de saltos boa (demorei 6 anos para completar 100 saltos). Um time de 4way de meninas (Ladies First) me chamou para treinar com elas, e, a partir daí, eu comecei a saltar com frequência e não parei mais!

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá? Quem foram seus instrutores? Como foi o seu curso?
Mariana: Meu curso AFF foi em Boituva, pela Skycompany, com o Marcello Costa e alguns outros instrutores (Ramela, Costinha, Benê). O Marcello Costa me ajudava bastante na época, e acabei fazendo com ele. Demorei cerca de um mês para fazer os saltos do AFF (repeti o nível 2 e o nível 3, uma vez cada um) e depois saltava bastante com meu pai e meu irmão do meio. Isso ajudou bastante, pois eu não precisava pagar vaga de outros instrutores ou profit, fora que saltar em família é tudo de bom.

Integra: Qual você acha que foi a sua maior dificuldade no início? E como foi a sua progressão até ser atleta? Treinou com alguém?
Mariana: No início, eu não tinha um propósito no paraquedismo e achava que os recordes ou times de 4way estavam muito longe da minha realidade. Quando as meninas (Flavinha Lopes e Vanessa Benetti) me chamaram (em meados de 2013), eu percebi que não estava tão longe assim, e que fazer 4way não era aquele bicho de sete cabeças que eu imaginava. O time em si não durou muito, mas logo em 2014 começaram a acontecer os treinos para o recorde feminino, e eu comecei a treinar bigway. Em 2014, o recorde fechou com 34 e eu não estava no salto. Isso doeu demais, mas serviu para me fazer entender que eu teria que me dedicar mais do que estava me dedicando. Obviamente, na época eu não entendi, mas eu não tinha condição de voo para estar naquele salto – hoje eu entendo. A frustração de não estar naquele salto me deu vontade de treinar para nunca mais sentir aquela sensação. Me dediquei a participar de vários eventos de bigway, dentro e fora do Brasil, e pronto: no recorde seguinte, com 54 pessoas e 2 pontos (em 2017), eu estava lá! Treinei com muita gente, mas acho que os mais importantes de citar são os eventos em que participei: “Let’s Get Big Way” e “Prime”, no Brasil, e o P3 Camp, na Califórnia. Quanto às pessoas com quem voei e que me ajudaram muito, com certeza vale citar o Pedrosan – em queda livre e no túnel, voar com ele é incrível e ele é um coach sensacional! David Rodrigues, Fabiano Florio, Renatinho, Ramela, Didi, Bia Ohno, Ziara e o saudoso Guga Garcez também são pessoas muito importantes para eu me tornar a paraquedista que sou hoje.

Integra: Hoje, onde você salta mais? E qual modalidade você mais gosta de voar?
Mariana: Agora que os treinos para o recorde feminino estão voltando, o plano é saltar bastante em Boituva! Gosto bastante de voar wing, mas voar de barriga é o que me mantém voando. Hoje em dia, eu sou a única da família que continua saltando, mas como casei com um paraquedista, saltar com ele ainda tem o gostinho de “estar em casa”.

Integra: Deixe uma dica para um iniciante no esporte!
Mariana: É muito melhor estar no chão querendo estar voando do que estar voando querendo estar no chão – e o paraquedismo é muito mais mental do que qualquer outra coisa, então manter a cabeça sã já garante grande parte do sucesso no processo. Nunca deixe de perguntar suas dúvidas e discutir os assuntos mais variados possíveis, isso nos faz aprender cada vez mais. Eu acredito que o esporte cresce cada vez que nós aprendemos, seja com os nossos erros ou com os dos colegas, e que quanto mais conversamos, mais aprendemos.

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