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Sexta-feira, 26 de Junho de 2026
Juliana Slawinski: De Sonho a Realidade no Paraquedismo

Brasil e Mundo

Juliana Slawinski: De Sonho a Realidade no Paraquedismo

A trajetória inspiradora de Juliana Slawinski, que transformou um sonho de infância em uma paixão vibrante, saltando pelas nuvens e conquistando novos horizontes no paraquedismo.

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Nome: Juliana Slawinski

Apelido: JuLenha e Ju Slawinski

Salta desde: Agosto/2021

Quantidade de saltos: 318

Área preferida: Boituva e SkyZimba

Integra: Seu primeiro salto foi duplo? Conte sobre (por que, como, onde, quando)

Juliana: Desde que me entendo por gente, sempre quis saltar de paraquedas. Lembro que, quando era adolescente, não perdia um Domingão do Faustão só para ver o Sabiá saltando e sonhava com aquilo, principalmente quando via ele saltando de wingsuit. Porém, como sou nascida em Fortaleza, em 1995 não existia área de salto lá e quem conseguia saltar era do Exército, então era algo muito distante para mim, apenas um sonho. Daí, quando em 2011 vim morar em São Paulo, e em 2014 descobri que havia a área de saltos em Boituva e comentei com meu marido que gostaria de realizar este sonho. Porém, ele “não deixou” com a desculpa de que nosso filho tinha apenas 12 anos e, caso eu morresse saltando de paraquedas, ele não queria criar nosso filho sozinho, rsrsrs. Além disso, colocou uma outra condição, que era nosso filho entrar na faculdade.

Engraçado que para pessoas leigas, o paraquedismo é visto como algo de extremo risco e que podemos morrer logo no primeiro salto. Quando praticamos o esporte, sabemos que é algo raro, que muita coisa evoluiu e que os equipamentos estão cada vez mais seguros. Porém, na época, não tinha esse conhecimento e acabei acatando e esperei os anos passarem.

Nosso filho entrou na faculdade com 17 anos e fez 18 anos em março de 2020.

E o que aconteceu em março de 2020? A PANDEMIA!!!! Simmmmm, mais uma vez tive que adiar meu sonho e aguardar a área de Boituva abrir. Então, em agosto de 2020, a área foi reaberta e eu queria que o máximo de amigas(os) participassem desta realização do meu sonho, então montei uma turma de 8 pessoas para saltar em setembro de 2020. Cheguei no dia e horário combinado, mas não foi possível fazer o salto duplo por conta das condições climáticas. Então, essa mesma turma remarcou para outubro daquele ano, e dessa vez, na véspera do meu aniversário, fiz meu primeiro salto duplo!

Lembro com clareza da minha felicidade em estar realizando o sonho que muito esperei, e lembro da sensação de liberdade, da adrenalina e do quanto eu amei a sensação de saltar.

15 dias depois voltei para Boituva para fazer mais um salto duplo. 

Integra: Como você soube que queria ser paraquedista?

Juliana: No momento do meu primeiro salto duplo, já sabia que queria seguir como paraquedista. Quinze dias depois, fiz meu segundo salto duplo e a certeza de que o paraquedismo era minha verdadeira paixão só se solidificou. Embora eu não trabalhe com o esporte, ele é minha válvula de escape. Quando estou estressada ou desmotivada, é para o paraquedismo que corro.

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá?

Juliana: Meu primeiro salto do curso foi com a SkyCompany. Inclusive os 2 saltos duplos foram com eles.

Quando estava em busca de escola para fazer o duplo, uma das minhas amigas que foram saltar tem um irmão que tinha o curso de piloto de avião e ele indicou a SkyCompany como sendo uma escola muito boa, que poderíamos confiar nos instrutores e equipamentos. Então, nem chegamos a pesquisar com outras escolas, pois estávamos buscando segurança.

E voltando à questão de que o leigo acha que pode acontecer algo a qualquer momento, a turma que saltou fez uma varredura na reputação da SkyCompany, olhando possíveis processos, nome dos sócios, qualquer tipo de envolvimento em acidentes, etc, e não encontramos nada que levantasse suspeitas, e, portanto, foi a escola escolhida para o salto duplo e para o curso.

Integra: Quem foram seus instrutores?

Juliana: O teórico do curso foi conduzido pela Karen Murata, que depois me treinou para bigways. Para os saltos, contei com a orientação do Amaral (que me acompanhou do 1º ao 7º salto), Olavo e Higor.

Integra: Como foi o seu curso?

Juliana: O curso teórico, com a Karen Murata, durou cerca de 8 a 10 horas. Foi uma maratona de informações, mas isso me deu muita confiança no esporte.

Me lembro de todos os 7 saltos do curso!

No primeiro salto, estava com uma sensação de felicidade e nervosismo. Feliz por ser mais um sonho se realizando e nervosa porque queria fazer tudo certo, rsrsrs. O treinamento no solo foi intenso e, ao subir no avião com o Amaral e Olavo, meu coração estava acelerado. O salto era só para sentir a posição, fazer as simulações e depois comandar. Quando a porta abriu, meu coração foi a 190 batimentos por minuto (registrado no Apple Watch, rsrsrs), eu fiquei sambando na porta com medo de ser arrancada para fora do avião (assim como acontece nos filmes, kkkk). “Ok, em cima, embaixo” e saltei! Eu curti tanto, mas tanto a queda livre que quase esqueci de comandar, pois queria aquela sensação eternamente, rsrsrsrs. Já o pouso fiquei tensa novamente.

Do segundo até o quarto salto, continuei sambando na porta com medo (quem nunca teve medo na porta e com o “piii piii piii” do avião que atire a primeira pedra! Rsrsrs), mas na queda livre era a melhor sensação!

Já no quinto salto vi que estava com bastante dificuldade de fazer o movimento a frente e, por indicação do Amaral, resolvi fazer 15 minutos de túnel de vento. Engraçado que neste salto brinquei com ele que eu era multitarefas, que fazia mais de uma coisa ao mesmo tempo, inclusive no salto, pois eu ia a frente e fazia 360º ao mesmo tempo, mas deu para passar de nível. Rsrsrsrs

O sexto salto foi o 2º que mais gostei no curso (depois do primeiro). Claro que continuei sambando na porta, continuei tensa no pouso, mas o salto em si, a queda livre, não tenho nem palavras para descrever a sensação, a felicidade.

Já o sétimo salto foi o combo de tudo já aprendido, não repeti nenhuma vez e acho que isso se deve a alguns fatores, como por exemplo ficar treinando em casa, pois ia pra Boituva 1 vez por semana para fazer 2 saltos do curso cada vez. Então eu sempre pegava a apostilha em casa e ficava ensaiando os movimentos, visualizando a saída do avião, além de sempre ler a apostilha toda para revisar todo o conteúdo.

Integra: Qual você acha que foi a sua maior dificuldade no início?

Juliana: O início foi cheio de desafios, mas nada que se destacasse como uma dificuldade singular. Enfrentei dificuldades com movimentos à frente, a saída do avião e o pouso, que ainda era uma dificuldade até pouco tempo atrás (até 200 saltos tinha dificuldade em pousar em pé), e dificuldade em não gangorrear no belly. Cada um desses desafios foi abordado separadamente: túnel para melhorar a estabilidade no belly, curso de pouso com o Renan Seccomandi para ter mais confiança, curso na Skydive University para me sentir mais segura no esporte e saber o que fazer em cada situação de risco, e claro, vários coachs.

Integra: E como foi a sua progressão até ser atleta? Treinou com alguém? 

Juliana: Quando entrei no esporte, eu tinha uma meta que era fazer 5 saltos por mês, para manter a frequência e evoluir no esporte. Então até a CAT B, fiz vários coachs. Lembro que do 8º salto até 25 saltos tinha realizado 4 coachs para treinar a passagem para a CAT A. Depois fiz mais alguns coachs para conseguir a CAT B. Esses coachs do início eram com o Amaral, o Higor, o Felipe Cruz (Felipinho).

Nos primeiros 15 saltos pós CAT B, foi só alegria, era brincadeiras e lenhas com os amigos, só curtição, pois esperei 50 saltos e alguns meses para este acontecimento! Rsrsrsrs

Quando fiz 65 saltos comecei a treinar para bigway com a Karen Murata, e aproveitei para fechar um plano no iFly para melhorar meu voo. E, com o passar do tempo e minha evolução, ela indicou participar de outros grupos para treinar, como o Fooflyers e CTR. Neste mesmo período comprei meu 1º equipamento (que já estava pensando em fazer wingsuit, então comprei um velame dócil para a prática da modalidade), e como não precisava mais pagar por aluguel de equipamento, tracei como meta 10 saltos por mês. Então com 107 saltos já tinha salvado e guardado os vídeos para a minha transição para CAT C, e era só esperar dar o número de saltos. Neste meio tempo, participei do Try Out do Recorde Feminino (salto com 33 atletas) e fui como reserva para o Recorde, que foi uma experiência absurda para minha evolução. E quando estava com uns 170 saltos, mais próximo do meu próximo sonho a ser realizado que era o wingsuit (sim, comecei no esporte pensando no wingsuit), conversei com o Flávio Jordão da Flybrothers sobre o que ele indicaria para quem queria fazer wingsuit, e então ele indicou praticar freefly, principalmente desloc e sit. Então do salto 170 ao 200 fiz apenas coach, participei de eventos de freefly e fiz túnel de vento focado em sit. Neste período me senti no AFF de novo... Nossa! Como eu não sabia voar nada! Rsrsrsrsrs

Meu voo no freefly era muito ruim (ainda é, tenho muito para aprender). Mas não bateu aquele amor pela modalidade, não foi como no belly e como no wingsuit que arrebataram meu coração. Acho que muito disso devido ao tempo curto de queda livre na modalidade, somente 30 segundos rsrsrsrs. O freefly para mim foi mais como um cumprimento de tabela para iniciar o wingsuit. Ainda quero voltar ao freefly um dia, praticar mais o sit e aprender o head down que estão nas minhas metas. 

E então quando chegou minha CAT C, em julho de 2023, nem titubeei e já iniciei o curso de wingsuit na Flybrothers. A emoção foi tão grande, que enquanto eu vestia o traje para o 1º salto eu caí em choro, choro de emoção de me ver realizando mais um sonho que esperei muito. Eu estava muito emocionada. No curso da Flybrothers são 5 saltos para se formar, cada um com uma meta a cumprir, assim como no AFF. Tive dificuldades em algumas tarefas, assim como todo AFF rsrsrsrs. 

Até agora, em agosto de 2024, estou com 318 saltos, sendo 77 deles com wingsuit. 

Sinto que sei pouco do esporte, que ainda tenho muito o que aprender e evoluir, e vamos seguindo pois o melhor salto é sempre o próximo!

Integra: Hoje, onde você salta mais? E qual modalidade você mais gosta de voar?

Juliana: A maior parte dos meus saltos acontece em Boituva, acredito que 80% de todos os meus saltos foram lá.

E a modalidade que mais gosto hoje é o wingsuit. Estou com o menor traje da modalidade, que é a Swift da Squirrel, e estou me preparando para passar para a ATC, que é o próximo nível (para quem tem 75 saltos ou mais de wingsuit).

Entendo que o salto se inicia da área de embarque e finaliza na área da dobragem, então, de todos os momentos do início ao fim, o que mais gosto é a queda livre; é a sensação de vento na cara. Portanto, passar quase 2 minutos em queda livre é maravilhoso, sentir o vento na cara por tanto tempo. É o dinheiro mais bem investido neste esporte. Uma das vezes, saí a 14 mil pés e fiquei dois minutos e meio em voo, foi um êxtase!

E minha segunda modalidade preferida é o belly, que foi onde fiz grandes amizades, que inclusive trouxe para minha vida pessoal e tenho como amizades mesmo.

Integra: Deixe uma dica para um iniciante no esporte!

Juliana: Aqui vão algumas dicas para você que está iniciando no esporte:

Se você está começando o paraquedismo por hobby, aproveite cada salto e evite transformar a prática em uma obrigação. Lembre-se de que, se virar trabalho, deixa de ser hobby e passa a ser obrigação. Então, se você tem condições financeiras de manter este esporte sem precisar trabalhar nele, vai preservar a paixão e continuará sendo a sua válvula de escape.

Outra dica depende muito do momento de cada um e do objetivo no esporte. Então, se o seu objetivo é evoluir no paraquedismo, faça túnel de vento, faça bastante coach, participe de eventos e grupos da modalidade que está praticando. E, quando estiver fazendo coach, procure sempre variar o instrutor. Não fique apenas em 1 ou 2 instrutores, é sempre bom pegar vários instrutores das várias escolas, pois cada um tem uma metodologia de ensino e uma dica que pode te desbloquear em algo. Para quem quer praticar belly, tem o CTR e Fooflyers, além de outros grupos menores para iniciantes. Para quem quer praticar freefly, tem Os Crias e Freeflow, por exemplo. Já para quem quer seguir no wingsuit, tem 3 escolas: Flybrothers, Wingsuit Performance e Flyerz. Em outras palavras, não seja fiel a ninguém e nenhuma escola, assim você pode aprender mais. Eu tenho minhas escolas do coração, que foram onde aprendi o AFF e o wingsuit, mas não deixo de saltar em outras escolas e com outros instrutores.

Se o seu objetivo é apenas curtição e não pretende evoluir rápido no esporte, faça um pouco de túnel de vento para não se tornar um perigo para os amigos, um pouco de coach e alguns cursos de segurança no esporte, como o curso de Navegação e Pouso e o curso de Segurança da Skydive University. E vá ser feliz!

Também não deixe de saltar com os amigos, fazer boas lenhas, com responsabilidade e segurança. Independente se você trabalha com o esporte ou não, precisa se divertir neste esporte.

Mais uma dica é sobre ficar em solo conversando. Aprenda com a experiência dos outros. Conversar com paraquedistas experientes e assistir aos vídeos pode fornecer insights valiosos e acelerar seu aprendizado.

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