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Sabado, 26 de Setembro de 2026
De Estudante a Instrutor Internacional: A Evolução de Paulo Henrique Perini no Paraquedismo

Brasil e Mundo

De Estudante a Instrutor Internacional: A Evolução de Paulo Henrique Perini no Paraquedismo

Da primeira descarga de adrenalina em Campinas às competições e treinamentos ao redor do mundo, descubra como Poulet transformou sua paixão pelo céu em uma carreira de sucesso no f

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Nome: Paulo Henrique Perini

Apelido: Poulet

Salta desde: 2002

Quantidade de saltos: 8.000+

Área preferida: Voss, Noruega

Integra: Seu primeiro salto foi duplo? Conte sobre (por que, como, onde, quando) 

Paulo: Meu primeiro salto foi um salto duplo na saudosa Azul do Vento, em Campinas, em setembro de 2002. Um amigo da faculdade tinha um conhecido que havia acabado de se formar paraquedista e estava organizando um grupo para ir saltar. Foi numa sexta-feira, época em que as áreas funcionavam apenas aos finais de semana, então a área foi aberta exclusivamente para o nosso grupo. Foi algo incrível porque, além da meteorologia perfeita, tivemos a chance de conhecer melhor os câmeras e instrutores que saltaram conosco naquele dia e entender um pouco sobre esse esporte que mudaria a minha vida.

Integra: Como você soube que queria ser paraquedista?

Paulo: No mesmo dia em que fiz meu salto duplo, me inscrevi no curso AFF, que começaria três semanas depois. Fiquei sem entender o que havia acontecido; toda aquela descarga de adrenalina me deixou, de fato, extasiado. Eu precisava saltar novamente para entender toda aquela adrenalina e sentir aquela sensação outra vez.

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá?

Paulo: Meu curso foi na própria Azul do Vento, consequência do meu salto duplo ter sido lá. Na verdade, eu nem tinha conhecimento da existência de outras áreas de salto.

Integra: Quem foram seus instrutores?

Paulo: Meus instrutores foram Walter Ribeiro (o Waltão), Gustavo Brizola (o Pitufo, que infelizmente não está mais entre nós) e Breno Mello. O Waltão, inclusive, foi também meu instrutor no salto duplo.

Integra: Como foi o seu curso?

Paulo: Foi um desafio pessoal; eu não controlava muito bem toda a adrenalina e expectativa dentro do avião antes de saltar. Tive o privilégio de fazer meu curso AFF de Skyvan. Lembro que não conseguia conversar muito dentro do avião, pois estava muito focado e também porque ficava enjoado antes do salto, de tanta adrenalina, haha. Porém, quando eu pousava, aquele êxtase fazia valer todo o medo que eu sentia, e só queria saltar novamente.

Integra: Qual você acha que foi a sua maior dificuldade no início?

Paulo: Vencer o medo e lidar com aquelas perguntas que devem passar pela cabeça de várias pessoas quando estão fazendo o curso: "E se o paraquedas não abrir?", "Vou conseguir abrir o reserva?", "Vou conseguir ficar estável em queda livre?" O medo da incerteza do que poderia acontecer e se eu estava preparado para as possíveis situações adversas foi uma das maiores dificuldades.

Integra: E como foi a sua progressão até ser atleta? Treinou com alguém? 

Paulo: Eu estava na faculdade quando comecei, então não tinha muito dinheiro para saltar. Acredito que eu fazia uns 5 a 6 saltos por mês no começo, e isso só porque aproveitava a “Promoção Madruga” da Azul do Vento. Se você estivesse na primeira decolagem e fizesse 3 saltos, se não me engano, você ganhava um. Além disso, meus pais não eram grandes entusiastas do esporte, tinham medo que eu saltasse e não achavam que eu iria levar a sério ou continuar por muito tempo. Quando me formei na faculdade e comecei a trabalhar, foi quando de fato comecei a investir no esporte. Até uns 300 e poucos saltos, eu era um “sobrevivente”; tínhamos um grupo de uns 5 amigos que saltavam juntos, sem a menor noção do que estávamos fazendo. A informação não era tão presente e "mastigada" como é hoje em dia. Com uns 300 e poucos saltos, tive a sorte de encontrar algumas pessoas no esporte que se tornaram grandes amigos e me orientaram a partir daquele momento, ajudando-me a evoluir e treinar da forma correta, sem colocar minha vida em risco por falta de conhecimento. Entre eles, Rick Neves, que, após pedirmos para ele editar diversos vídeos desse grupo de amigos, nos chamou depois de ver os vídeos e nos deu um sermão. Flávio Santoro, que até hoje é um dos meus melhores amigos e companheiro de equipe durante anos, me treinou e ajudou muito na minha evolução como atleta. E, sem sombra de dúvidas, Claudio Knippel, um dos maiores atletas que o Brasil já teve, um amigo que levarei para sempre no meu coração e que me ajudou e me treinou muito. Eu e o Saldanha devemos ter feito juntos, em 3way com o Crods, mais de 1000 saltos. Não posso esquecer também de João Tambor e Juliana Sé, meus primeiros coaches em túnel de vento, e a Flyfactory como um todo. Em 2008, larguei meu trabalho “normal”, mudei-me para a França pela primeira vez e comecei a me dedicar full time ao paraquedismo. De lá para cá, virei instrutor, treinador e examinador em túnel de vento pela IBA. Participei de diversas viagens, boogies, eventos, camps de túnel, campeonatos, mudei-me para outros países, e tive uma longa trajetória de dedicação, foco e treinamento no esporte.

Integra: Hoje, onde você salta mais? E qual modalidade você mais gosta de voar?

Paulo: Atualmente, moro em Boituva, consequentemente, minha principal área de salto é o CNP. Desde o meu início, sempre me dediquei ao freefly. Cheguei a me tornar instrutor AFF e fiz alguns saltos, mas, devido à falta de tempo e agenda, acabei não atuando mais nessa área, focando 100% no freefly.

Integra: Deixe uma dica para um iniciante no esporte!

Paulo: Antes de mais nada, seja uma pessoa do bem, de caráter e honesta, algo que infelizmente tem diminuído cada vez mais no nosso esporte. Segundo, seja humilde; o paraquedismo mexe muito com o nosso ego, então não se deixe dominar pelo seu próprio ego. E, por último, não tenha pressa em nada; escute os mais experientes. Se estão te falando algo, mesmo que você não goste, é para o seu próprio bem. O próximo salto sempre vai ser o melhor.

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