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Terça-feira, 12 de Maio de 2026
Bia Ohno

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Bia Ohno

Atleta de ponta esteve a frente do Recorde Feminino

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Que a Beatriz Ohno é uma atleta de ponta, todo mundo sabe. E também ninguém duvida que ela arrasou a frente do projeto do Recorde Feminino, sendo parte importante da conquista inédita até hoje no Brasil – um 48 way só da mulherada. Mas poucos sabem as dificuldades que passou para conquistar isso.

A história de recordes da Bia começou com um 20 way e um 24 way feminino em 2008, em Boituva. Em 2011, fez parte da equipe feminina de 4 way que conquistou o 3º lugar mundial de jogos militares, façanha essa inédita até hoje. Em 2013, participou do 26 way feminino, quebrando novo recorde.

Em 2014, sob supervisão da Ziara, um grupo de 4 mulheres organizaram um novo recorde feminino, e desde então continuam envolvidas na organização de eventos para o público feminino. Em 06 março de 2023, após quatro saltos, conquistaram no segundo dia de evento um 37 way, no último salto do dia. Esses saltos contavam com pessoas mais experientes, e foi assim que no terceiro dia decidiram incluir atletas menos experientes, mas que haviam se preparado para o recorde. Assim, no primeiro salto do dia 07 de março, conquistaram o 48 way.

Ela conta que a sensação foi incrível. “O propósito do projeto foi preparar novas atletas, e elas fecharam a formação no primeiro salto.” Ela confessa que ficou surpresa por ser assim, no primeiro salto, mas a preparação das meninas foi intensa durante os últimos dois anos.

Ela revela que o plano que tinha com o Pedro San era era ser um 36 way, e depois um 40 way. Se possível, planejavam chegar a 48 way e, por fim, um 50 way. Mas as meninas estavam tão preparadas que pularam do 37 para o 48 de cara: e deu certo! O Pedro San ficou ansioso pela decisão, e sua cara de surpresa na área de pouso foi memorável. Neste terceiro dia de evento, a navegação estava turbulenta, e a Bia considerou a situação toda um pouco perigosa. Apesar da pressão para continuar, a decisão dela foi parar de crescer o grupo. Para que todas as meninas saíssem do evento com títulos, fizeram o recorde sequencial com as 3 meninas que estavam no banco, um 13 way com dois pontos, além do Recorde Feminino Híbrido (um 12 way), com mais algumas Free Flyers.

No dia 08, quarto e último dia do evento, continuaram fazendo saltos fun, e mais uma excelente confraternização.

“A trajetória da preparação das novas atletas foi um trabalho árduo, mas realmente surtiu muito efeito. Foi melhor do  que organizar um evento de recorde sem conhecer cada atleta, sem saber a qualidade de voo, navegação e pouso delas. Você só tem certeza de colocar alguém se souber quem ela é, onde colocá-la, o que pedir a ela. No fim, você sabe onde encaixá-la e, se necessário, como fazer uma abordagem de alerta.”

Ela conta que nos encontros faziam muito a parte de chão, especialmente no início, era um dia de solo e um dia saltando. No solo, o trabalho era de integração, motivação e autoconhecimento. Durante esses dois anos de preparação, conheceram

profundamente cada atleta. “Usando essas dinâmicas de solo, foi possível conhecer a história de cada uma, o perfil profundo de cada atleta.” Com o aumento do nível de confiança do grupo, novas amizades foram nascendo, pelo entendimento da história da outra, o que resultou em uma grande união. “O maior orgulho não foi fechar o recorde, foi unir as meninas.”

Uma das preocupações da organização eram fofocas e atitudes no solo. Assim, decidiram que o ‘mimimi’ era um motivo de

corte do recorde. “O solo cortaria mais que as questões de habilidade. Isso deu raiz, estrutura e força para fechar assim no primeiro salto. Essa foi a grande conquista, de um todo ser feito de cada uma, e de cada uma estar comprometida com o todo. Cada uma tinha o seu papel e seu momento.”

O momento mais difícil foi logo após a queda de uma aeronave, e em seguida o fechamento da área de Boituva. Alguns treinamentos seguintes foram cancelados. A Bia avisou que não sabia o que aconteceria, se iria continuar e como. O recorde que era  previsto para novembro de 2022 também foi cancelado. Foi um momento difícil para ela pois ouviu muita coisa ruim, não sabia o que aconteceria no cenário do esporte, e chegou a orçar com áreas nos Estados Unidos. Ouviu de várias pessoas que o evento não iria dar certo. Enquanto chovia negatividade, elas ficaram caladas, mas continuaram trabalhando e organizando o evento. Decidiram por fim marcar para março de 2023, na semana da mulher. “Isso não foi um empecilho e sim um motivo para treinar mais. As atletas entenderam e seguiram acreditando no projeto".

Ela garante que toda a organização sempre foi clara e transparente com as atletas. O sucesso veio da união, coesão do grupo e da administração, sempre comprometida, cada uma fazendo sua parte. “O sucesso começou com a escolha das pessoas da organização. Talvez meu único mérito real foi escolher as 8 mulheres que organizaram o evento, mas o recorde em si foi mérito de todos os envolvidos.”

Foi um desafio juntar 8 mulheres capazes, com opiniões fortes e com suas próprias agendas. Conseguiram também diversos apoios, como do Ifly, da CBPq, da Federação Paulista, entre outros. Nenhuma das LOs cobraram profit para que a inscrição fosse mais barata, inclusive o David do CTR. “Já o Pedro San foi uma ferramenta imprescindível para o evento, pois oferecia uma visão de fora, sem emoção.”

Dia 29 de julho está marcada a festa no Ifly para entrega de certificados. Já sobre eventos futuros, a Bia pediu para um dar um tempo e perguntar isso novamente daqui alguns meses. Ela riu e disse que não faz ideia do futuro.

FONTE/CRÉDITOS: VIVIAN VALENTINI
FONTE/CRÉDITOS (IMAGEM DE CAPA): BIA OHNO
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