Nome: Débora Helena Peruzzo Brescianini
Apelido: Débs
Idade: 44
Quantidade de saltos: 3.000
Área que salta: Boituva, Piracicaba, Campo Largo (salto de balão).
Integra: Como você decidiu começar a saltar? Quando foi?
Débora: Eu sempre gostei de aviões, paraquedistas... o céu sempre foi uma curiosidade. Quando era criança meu pai me levava para assistir esquadrilha da fumaça e paraquedistas quando tinha "portões abertos" da aeronáutica que eram eventos de demonstração. Eu me fascinava assistindo. Sempre pensei em saltar, mas era muito nova, depois não tinha como arcar financeiramente, depois casei e meu ex-marido muito ciumento era contra e pra fugir de briga desisti... foi quando me divorciei em 2010 que realmente realizei meu sonho. Uma semana após separação de corpos pensei onde acabei me anulando e o paraquedismo foi a primeira coisa que me veio à mente. E daí fui! Em seguida tive um diagnóstico de esclerose múltipla que foi o combustível pra eu abraçar este esporte com todas as forças!! Paraquedismo me ajudou e me ajuda a valorizar cada segundo da vida.
Integra: Como foi seu curso de formação para virar paraquedista?
Débora: Fiz o curso na escola skull paraquedismo, do Rogério Santos. O teórico foi aqui em Curitiba e o prático em Ponta Grossa (cidade que fica 1 hora de Curitiba). Fiz a escola ASL, no qual uma fita prendia o equipamento ao montante da aeronave e o velame abria sem eu ter que comandar.
Integra: Qual a sua modalidade favorita no esporte? Por quê?
Débora: Sou relativista, vão de "barriga" como é falado no dito popular. Acho incrível ter que voar na mesma altura e conseguir uma boa razão de queda em relação aos outros paraquedistas que estão no salto. O TR (trabalho relativo) é uma dança em equipe... mas no céu. Me apaixonei porque lembrou muito a época que era atleta de nado sincronizado... uma dança na água. É uma responsabilidade que tem que ter com o time e não somente comigo.
Integra: Você acha que mulheres e homens têm as mesmas oportunidades no paraquedismo?
Débora: Quando comecei não tinham não... eu particularmente senti preconceito e falta de acolhimento por alguns atletas homens. Hoje em dia muita coisa mudou. As mulheres são bem recebidas nas áreas, são respeitadas. Inclusive há 1 ano tivemos o projeto de recorde feminino no qual foram 2 anos treinando as atletas para alcançar este recorde. Uma das motivações foi justamente a inclusão da mulher no esporte.
Integra: Cite uma mulher que você admira no esporte. Por quê?
Débora: Uma só??? Puxa... desafiador hein... admiro, respeito, me orgulho , sou fã das minhas team mates (Ju Sé, Bia Ohno e Jéssica) e um carinho especial da minha irmã do coração Patricia Porto. São mulheres fortes, amáveis, dedicadas, acolhedoras, AMIGAS. Mas fora elas tem muitas outras que merecem meu total respeito.
Integra: Quais são as dificuldades das mulheres no esporte?
Débora: Serem vistas como atletas que se empenham em melhorar. Lá em cima não há diferença entre homem e mulher. As mulheres executam com excelência as mesmas coisas que os homens podem fazer.
Integra: Você já sofreu algum preconceito ou assédio no esporte?
Débora: Quando fiz o curso alguns homens falavam que não iria durar no esporte, que era só fogo de palha... lembro de um dia que estava bem no começo do curso e um atleta homem falou pra eu fazer o P.S.do salto.... Falei que não sabia e perguntei se ele me ensinaria... a resposta foi: "se não sabe nem isto como quer virar paraquedista?"... eu devia estar no terceiro salto creio eu.... comentário desnecessário dentro de uma aeronave cheia de homens e eu a única mulher no início do esporte e em fase de aprendizado. São por estes pequenos detalhes e comentários que algumas mulheres acabaram desistindo...
Integra: Conte um salto que fez com outras mulheres e que te emociona muito.
Débora: Foi no primeiro salto do campeonato mundial militar na Alemanha. O salto foi incrível tecnicamente, nesta rodada fomos a equipe que mais pontuou. Na hora que comandei, só vinha na cabeça minha cadelinha que na época tinha 18 anos e estava muito mal, me emocionei tanto e chorava muito de preocupação com ela que talvez eu voltasse e ela poderia não estar mais presente. Quando pousei, as meninas do time me perguntaram o que eu estava chorando se tinha sido um saltão... expliquei a elas da minha cadelinha e o carinho que tiveram comigo foi inesquecível... Realmente este esporte nos une e nos conecta com energia que palavras não são necessárias.
E o salto do ano passado não tem como esquecer. Salto do recorde feminino brasileiro e sul americano... acompanhar a evolução das atletas e realizar o recorde foi demais!!!
Integra: Deixe uma dica para os iniciantes do esporte.
Débora: Ser responsável com outros atletas, respeitar condições climáticas (não querer dar um passo maior que a perna para evoluir), ter paciência para diminuir o velame, controlar ansiedade para os saltos, estudar os saltos, conhecer o equipamento, acolher os atletas que estão chegando, não colocar o ego no primeiro andar.
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