Integra Paraquedismo

Quarta-feira, 12 de Agosto de 2026
Aedo Freitas: Do Sonho de Infância ao Céu de Boituva

Brasil e Mundo

Aedo Freitas: Do Sonho de Infância ao Céu de Boituva

Desde 1980, o paraquedista conhecido como 'Gaúcho' coleciona saltos, histórias e ensinamentos, inspirando novos atletas a seguir o caminho das águias nos céus do Brasil

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CONTE COMO FOI SEU INÍCIO

Nome: Aedo Freitas Soria

Apelido: Gaúcho

Salta desde: 07 de dezembro de 1980

Quantidade de saltos: 2394

Integra: Seu primeiro salto foi duplo? Conte sobre (por que, como, onde, quando).

Aedo: Não, e jamais faria um.

Integra: Como você soube que queria ser paraquedista?

Aedo: Era um sonho de criança. Quando era pequeno, havia muitos filmes de guerra da Segunda Guerra Mundial, e quando apareciam saltos de paraquedas, eu ficava para assistir à sessão de cinema seguinte (matinê aos domingos).

Iniciei no paraquedismo no segundo ano de faculdade, um sonho de criança. Fazia paraquedinhas de plástico com linhas de tricô e lançava com pedras e gatos do terceiro andar do prédio onde morava. No segundo ano de faculdade de Educação Física, havia um aluno com número 823, e o meu número era 1361. Quando o professor fazia a chamada, toda a classe gritava "FRANCO", e eu reclamava, alegando que todos puxavam o saco dele porque era aluno antigo. Até que fiquei sabendo que o motivo de chamarem ele de "FRANCO" era por ser paraquedista, e associavam ele ao Manicômio de Franco da Rocha. Mas ele nunca ia à aula, até que um dia, enquanto estudava para uma prova, levantei a cabeça para digerir com minhas palavras o texto que acabara de ler, e então me deparei com a cena do FRANCO (seu nome era Marcelo Godinho de Campos, e no paraquedismo tinha o apelido de "Zé Colmeia"), afixando um cartas acima da lousa, com os seguintes dizeres: “CURSO BÁSICO DE PARAQUEDISMO, APRENDA COAR COM AS ÁGUIAS”.

Fechei o livro e fui até ele. Assim começaram as conversas. Ele era monitor de paraquedismo (nome dado aos instrutores da época) da ACM - Associação Cristã de Moços. Conversamos sobre preço, tempo de curso, paraquedas, onde saltavam... e por aí vai. O preço do curso na época era de 9 mil cruzeiros. Eu, estudante de faculdade particular, mal conseguia pagar a faculdade, era muito caro para a época. Aí o FRANCO (Zé Colmeia) me perguntou se eu não tinha nada para vender. Respondi que tinha duas garrafas de whisky que havia trazido de Manaus/AM. Ele ofereceu ao Major LUND, dono da escola e paraquedas, mas a resposta foi que, por esse preço, ele comprava uma caixa no Paraguai. Então minha namorada deu a ideia de fazer uma rifa, em uma cartela de nomes, que assim que fosse vendida toda, abriríamos para ver o ganhador. Na faculdade, vendi alguns números. À noite, depois da faculdade, passei na casa dela, e ela me pediu a cartela para vender alguns nomes na agência do Itaú onde trabalhava. Na noite seguinte, quando passei na casa dela, para minha surpresa, ela havia vendido todos os nomes restantes, num total de 10 mil cruzeiros. Na sexta-feira, matei as duas últimas aulas e fui com ela e o FRANCO para a ACM fazer minha matrícula. Paguei o curso e já o primeiro salto, que custava na época 675 cruzeiros. E lá fui eu saltar, no dia 7 de dezembro de 1980. Tem mais história até acontecer o primeiro salto, mas aí o texto ficaria muito longo.

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá?

Aedo: Dia 7/12/80, em Boituva/SP, aeronave PT-AZB, Comandante Belo.

Integra: Onde foi seu curso de primeiro salto? Como você foi parar lá?

Aedo: Fiz o curso na ACM – Associação Cristã de Moços, em São Paulo. Fui através de um colega da faculdade, como já contei acima.

Integra: Quem foram seus instrutores?

Aedo: Pedro Silveira LUND, Marcelo Godinho de Campos, MIURA, Eduardo LUND, Wladimir e Wagner Rodrigues Alves.

Integra: Como foi o seu curso?

Aedo: Curso Básico de Paraquedismo, uma semana de aulas teórico/práticas, arrasto, aterragens e rolagens, equipamento suspenso. Paraquedas utilizado: T-10.

Integra: Qual você acha que foi a sua maior dificuldade no início?

Aedo: A dificuldade era a falta de dinheiro. A ponto de precisar comprar um tênis, então fazia as contas do valor do tênis e quantos saltos podia fazer em troca de usar por mais um tempo o tênis velho. Então fiz o curso de Monitor de Curso Básico (T-10) e, mais adiante, fiz o Curso de Instrutor ASL. Depois passei a ministrar cursos pela CBPq. Duas vezes, Curso Básico (a convite do Pedro Hilu) e, depois de formado no Curso de ASL (a convite de Rogério Martinati), passei a ministrar curso para Jump Master ASL. Por quase todo o país.

Integra: E como foi a sua progressão até ser atleta? Treinou com alguém?

Aedo: A progressão foi a seguinte: 5 saltos, 3 falsos punhos, e a primeira queda livre de 5 segundos. Saíamos do avião contando: 1 mil, 2 mil, 3 mil, 4 mil, 5 mil, e aí abríamos o paraquedas. O treinamento era com o próprio instrutor. Depois de formado, fiz alguns saltos de treinamento com China, Fidelis, e recebi algumas orientações do Ricardo Cavallari, Vitor de Campinas, e Marcos Pettená.

Integra: Hoje, onde você salta mais? E qual modalidade você mais gosta de voar?

Aedo: Boituva é minha área de salto preferida, mas já saltei em quase todo o país. Apenas dois estados onde ainda não saltei, mas pretendo: Rondônia e Espírito Santo.Modalidade: Grandes formações. Mas já fiz saltos de Precisão, TR-4 (hoje FQL), TRV, Estilo e muitos saltos de demonstração, com participação na Equipe Cinzano e Circo Aéreo Onix Jeans.

Integra: Deixe uma dica para um iniciante no esporte!

Aedo: Conselho: Faça o curso, numa das modalidades de formação ASL ou AFF e economize dinheiro. Eu NÃO recomendo Salto Duplo, porque está acabando com o número de atletas.

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