Nome: César Augusto Calovi Fagundes
Apelido: Alegrete
Natural de: Alegrete/RS
Quantidade de saltos: 1800 (+ ou -)
Área de salto: Boituva
Integra: Como você começou no paraquedismo?
César: É uma história curiosa.
Um amigo paraquedista - Guilherme Vilaça - vivia me chamando pra fazer um salto duplo em Boituva. Depois de uns três anos, aceitei o convite.
Eu não tinha a menor noção do que seria saltar, e muito menos do que viria depois daquele salto duplo.
O fato é que fiz o salto, na Azul do Vento, com o Marcão Terraguar, filmado pelo Rick Neves.
Conheci naquele avião o Maiorano, que me disse: “- Depois desse salto você vai querer fazer muitos mais”.
Ele estava certo.
Já no pouso eu resolvi que ia saltar sozinho, e resolvi fazer o curso AFF.
Isso aconteceu em novembro de 2006, e desde então eu nunca deixei de saltar.
Integra: Como foi o seu ingresso na modalidade de grandes formações?
César: Eu fiz o AFF na Azul do Vento, e ali atuavam, entre outros, dois grandes especialistas e recordistas em big-way, Ricardo Pettena e Márcia Farkouh. Eles me inspiraram desde o início.
Logo veio um recorde da Azul do Vento - 24-way, se não me engano -, e eu, que ainda não tinha condições de participar, estabeleci o objetivo de aprender e participar do máximo possível de grandes formações.
Comecei, efetivamente, nos antigos Encontros do CTR.
Integra: Onde tem praticado a modalidade ultimamente?
César: Salto predominantemente em Boituva, quase sempre em eventos do CTR, liderados pelo David Rodrigues.
Ali realizam-se, conforme o momento, tanto saltos menores (12-way, 18-way, 20-way), como saltos maiores e recordes (paulista, brasileiro, e outros), altamente exigentes e técnicos.
Integra: Você participou de recordes? Quais?
César: Sim. Já participei de vários recordes.
O primeiro foi um 40-way, não oficial, em 2010, em Salto, Uruguai, saltando de Hércules.
Depois vieram o atual recorde brasileiro, um 103-way, em 2013, em Perris Valley, EUA, e alguns recordes estaduais e brasileiro (dois pontos), no Brasil.
Além disso, houve, naturalmente, algumas participações em tentativas que afinal não resultaram em recorde.
Integra: O que te encanta nessa modalidade?
César: Encantam-me, na modalidade, o desafio - que é enorme -, e a ideia de que o big-way só acontece se cada um dos participantes estiver efetivamente comprometido e envolvido, dando naquele salto o melhor de si.
E me encanta, igualmente, a comunhão de energia e alegria que há entre os participantes, no salto e em solo.
Integra: Quais os maiores desafios de um atleta de big way no paraquedismo?
César: Um grande desafio - que, felizmente, vem se tornando menor - é encontrar as condições ideais para a prática.
É preciso bastante gente; é preciso alguns aviões voando em ala; é preciso paciência, treinamento, técnica; é preciso humildade para ouvir, esperar, aprender.
Integra: O que você acha do nível de voo dos brasileiros em comparação ao nível dos atletas de outros países?
César: Não tenho os elementos para fazer adequadamente uma comparação.
Acredito que em geral as condições para a prática do big-way têm sido melhores em outros países (nos EUA, especialmente), e por isso acredito que haja no exterior mais atletas mais qualificados na modalidade.
Mas há entre nós também muitos grandes atletas, que certamente estão à altura dos melhores estrangeiros.
Ademais, estamos crescendo, inclusive com a realização de mais e melhores eventos na modalidade - de que é importante exemplo o evento de tentativa de recorde brasileiro, 108-way, que se realizará em julho, em Boituva.
Integra: Quais os seus planos para o futuro?
César: Tenho um só plano, que é seguir voando, mais e melhor.
Integra: Deixe uma dica para quem quer iniciar no Big Way.
César: A dica é: voa.
Procura a melhor referência (técnica, segurança, experiência, responsabilidade), e voa muito.
Fotos por: Rick Neves, Ramela Rodrigues e Careca.
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