Nome: André Mello
Apelido: André
Quantidade de saltos: 550+
Área de salto: Resende / Boituva / Anápolis
Integra: Como você começou no paraquedismo?
André: Comecei realizando meu curso de AFF na SKYDIVE SAN DIEGO (https://skydivesandiego.com/), no ano de 2007. Na época, já havia túnel do vento nos EUA e eu tive a chance de voar, por cerca de uma hora, no túnel do vento de PERRIS VALEY, antes de realizar os saltos AFF.
Integra: Como foi o seu ingresso na modalidade de TR?
André: Logo após meu curso de AFF, realizei o curso de Salto Livre da Marinha do Brasil, em 2008. Na ocasião, foi o primeiro curso de Salto Livre militar do Brasil a utilizar o túnel do vento como ferramenta de treinamento de alunos. Usamos o túnel militar em Goiânia. Assim que concluí o curso, tive a oportunidade de ingressar na equipe de salto livre da Marinha do Brasil e pude ter contato com o TR.
Integra: Atualmente, tem time formado? Qual? Quem são os outros membros?
André: Sim. O time o qual faço parte se chama Co.Bra (sigla que abrevia as palavras Centro-Oeste / Brasília). Somos baseados em Brasília, onde os quatro elementos do time e o coach residem. Os outros membros são: Agrício Silva, Alexandre Coutinho, Vinícius Mação e Anderson De Vargas (nosso coach).
Integra: Você participou de campeonatos? Quais? Qual categoria?
André: Sim. Participei do Campeonato Brasileiro da CBPq em 2009 pelos NETUNOS, categoria iniciante, algumas copas 2 way em Resende e, mais recentemente, participei com o time Co.Bra 4way do Air Games 2023 – Categoria Rookie; e Air Games 2024 (ainda em vigência) na categoria Intermediate.
Integra: O que te encanta nessa modalidade?
André: Eu costumo dizer que o 4-way é a Fórmula 1 do paraquedismo (sem desmerecer as demais modalidades). Os desafios do 4way já começa pelo desafio de conseguir formar um time com um alinhamento de propósitos de metas que tenha o 4way como objetivo e prioridade, dentre tantas outras demandas que a vida apresenta para cada um dos 4 atletas.
Tendo passado este desafio inicial, o segundo se consiste em alinhamento de agendas (inclusive a do coach), bem como estabelecimento de orçamento mínimo de investimento em treinamentos, equipamentos e competições. No caso dos Co.Bra, temos agenda anual de treinos e de competições e, além disso, um movimento contínuo de prospecção de parceiros e de patrocinadores.
Após estas etapas, aí que começa a fase mais fascinante que é voar em equipe! Aprimorar suas habilidades individuais e harmonizar com todos os team mates. Em seguida vem a memorização a prática e dos Pools e de cada novo bloco.
Para concluir e responder a pergunta de uma maneira mais objetiva, o que mais me encanta é que o resultado do time depende da sinergia de 4 praticantes e não somente no talento individuas e, sobretudo, se trata de uma modalidade em que um time tecnicamente inferior muito dificilmente vence outro time tecnicamente superior.
Integra: Quais os maiores desafios de um atleta de TR no paraquedismo?
André: Os maiores desafios são: Encontrar os team mates ideais, ter disciplina de preparo físico e de treino e possuir disponibilidade de agenda e financeira para proporcionar ao time o tempo necessário para melhorar a performance.
Integra: O que você acha do nível de voo dos brasileiros em comparação ao nível dos atletas de outros países?
André: Se fizermos um comparativo sobre os números de praticantes de TR brasileiros, perante os praticantes estrangeiros, eu entendo que nossa performance está excelente, tendo em vista a pouca quantidade de atletas e de tuneis do vento no Brasil.
Provavelmente o nosso time Nacional (nucleado pelos NETUNOS) deverá figurar dentre os TOP 10 do mundo e se considerarmos o aporte de investimento de recursos e tempo, concluiremos que o time é excelente e ainda tem potencial para evoluir e crescer mais, a depender do aumento de volume de treinos.
Integra: Quais os seus planos para o futuro?
André: Eu planejo continuar na prática do 4 way, buscando cada vez mais o alto rendimento nas competições de 4way. Participar cada vez mais de campeonatos de 4-way no Brasil e no exterior e passar a participar dos big ways brasileiros e internacionais.
Voar cada ao máximo possível no túnel e, ainda, adquirir as credenciais de coach indoor para poder ajudar na popularização da modalidade.
Integra: Deixe uma dica para quem quer iniciar no TR.
André: Algumas dicas que podem otimizar a evolução na modalidade:
- Tenha seu macacão sob medida e um bom capacete fullface (estas são as ferramentas básicas para o início do trabalho);
- Invista no seu voo individual o máximo que puder, com algum coach especializado em Formação em Queda livre (FQL), para se tornar apto a integrar um time;
- Organize seu tempo e suas finanças para realizar um calendário de treino consistente e estável. É melhor treinar pouco “SEMPRE” do que treinar muito “QUANDO DER”. Constância, disciplina e foco.
- Participe de competições ROOKIE o máximo que puder;
- Estude e memorize os pools. Sem isso, o atleta, por melhor que vooe, acaba ficando limitado para realizar 4way;
- Ache pessoas com o mesmo interesse e comprometimento que o seu, para formar seu time. Um “casamento” entre 4 pessoas demanda foco, comprometimento, empatia e paciência. Nem sempre o melhor atleta será o melhor team mate. Vale a pena selecionar pessoas que coadunem com as mesmas ideias e propósitos para evitar conflito de interesses ao longo da caminhada do time; e
- Assista a vídeos de FQL… Tanto dos melhores do mundo, quanto dos times locais. É muito oportuno aprender com a experiência daqueles que já estão na caminhada.
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